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queremlaver

contactoclaudiaoliveira@gmail.com

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PASSOU A SER A MELHOR AULAS DE SEMPRE

 

 

Adoro o curso que estou a tirar. É um alívio, um estimulo e uma descoberta constante. Só havia uma aula que gostava pouco, mais ou menos. Incomodava-me a atitude da professora tão apática, tão sorridente e silenciosa, sem nada para passar aos seus alunos. Quando me queixei das aulas não esperava voltar atrás na minha opinião. A primeira opinião raramente engana, não é verdade? Mentira. Engana e ainda nos faz engolir todas as letrinhas. Ou o meu detetor de personalidade está altamente estragado. Felizmente não sou casmurra e dou oportunidades a mim mesma para encontrar o lado melhor nos outros. Não têm de mostrar, não têm nada a provar. Sou eu que preciso de sobreviver no meio da aula que gosto pouco, enquanto se salva aquele sorriso silencioso, ou não me deixo ficar pela primeira opinião. Ontem consegui ir ao curso. Entreguei o trabalho e pedi indicações para o próximo. Vantagens da internet. Ok, fácil. A turma enche a professora de perguntas após tanto silêncio. A professora deixa escapar que é autora de uma revista literária e que usa as redes socais para divulgar o seu projeto em vez de partilhar fotos da sua vida pessoal. Alto! Revista literária! Os meus ouvidos não ouviram mais nada. Lá fui eu, devagarinho. “Professora, pode dizer-me o nome da sua revista?”. Entusiasmada mostrou-me o site, os artigos, o programa literário onde apareceu, conversou sobre autores, partilhou confidências sobre os prémios literários onde foi jurada, a vontade e o convite para ir ao Parady no Brasil, sobre as disputas entre os poetas, as zangas com um autor muito conhecido, o fraco estilo narrativo de um autor que muito estimo, indicou-me vários autores. Juro, os meus olhos brilhavam. Brilhavam tanto que a aula que gostava pouco transformou-se na melhor aula de sempre. Engoli as palavrinhas todas. E meu deus, como estou feliz por estar errada. No final despedi-me da professora e agradeci, “Professora, estou maravilhada! Adorei!”. E fico a pensar, somos todos uma espécie de livros por ler, com capítulos capazes de mudar o enredo e impactar nos momentos mais inesperados. 

PERDOEI A VIDA

 

Vai ser um bocadinho estranho partilhar isto. Não vos posso contar a história toda, mas vai ser suficiente para transmitir aquilo que pretendo. Acredito que existem peças fundamentais para o crescimento pessoal. Cada um com as suas. 

 

O meu pai morreu quando eu tinha oito anos. Isso afectou totalmente a minha infância e o meu crescimento emocional. Na altura, os meus irmãos tinham seis anos e seis meses. A minha mãe ficou sozinha com três crianças e as coisas não foram fáceis. Quando digo que afectou o meu crescimento emocional quero dizer que tudo o que eu fiz depois dessa data foi marcado por esse acontecimento. Eu vivia com a sensação de perda todos os dias. Um vazio gigante, uma aura de solidão imensa e uma estranha forma de me relacionar com todos.

 

Adiante, era uma miúda feliz com um peso no coração. Entendem? Sempre que algo de negativo acontecia na minha vida eu ligava ao facto do meu pai ter morrido. Tudo era culpa da morte dele de forma prematura. Imaginem, um rompimento de namoro na adolescência era um buraco negro para mim. Eu não sofria por causa do fim do namoro, eu ia buscar o dia da morte dele para sofrer o fim do namoro. Confuso, não é? Acabei por desenvolver um medo desenfreado por perder as pessoas. Isso dava cabo da minha segurança. E eu precisava muito de segurança. Ainda hoje busco segurança em todos os meus passos. Mas já estou a entrar por caminhos estreitos. Vamos ao que eu quero dizer. 

 

Ao longo de muitos anos sofri horrores com a ausência do meu pai. Repetia lembranças vezes sem conta até cansar. Sempre os mesmos episódios. Tenho memorizados oito episódios com ele. Oito. O peso desapareceu há cerca de sete anos. Nessa altura deixei aos poucos de repetir as lembranças com medo de me esquecer do seu rosto. Deixei de escrever sobre ele exaustivamente. Deixei de chorar ao som de uma música ou duas que associo sempre a nós. E fiquei leve. A dor passou a saudade bonita. Sem peso. Há um grande motivo para esta mudança, daria outro texto. 

 

Ao longo destes anos nunca quis saber quando é que ele tinha falecido nem a data do seu aniversário. Para não ter mais datas tristes para além do dia do pai. Sendo que o dia do pai agora é o dia do super pai desta casa. Se calhar a minha mãe já me tinha dito mas eu nunca memorizei. Defesas. Não sei. 

 

Hoje comentei com o meu melhor amigo que não sabia essas duas datas e tinha muita vontade de saber. Aliás tenho vontade de saber mais sobre ele. Estávamos a falar da série This is Us e calhou em conversa. Ele disse-me para perguntar à minha tia, irmã dele. Por concidência ou não a minha prima veio falar comigo no chat. Raramente falamos. E assim que a ajudei no que precisava perguntei as datas. Foi muito importante para mim este passo. Ter datas. Ter coragem de perguntar. Não é propriamente as datas, é a minha atitude. E ainda fiz várias perguntas sobre ele. 

 

Parece que finalmente tirei os lençóis dos fantasmas. Nunca pensei conseguir falar no meu pai com alguém da minha família. Nunca pensei que a saudade durasse uma vida. Nunca pensei pedir uma foto dele comigo ao colo. Não tenho uma única foto dele. Nunca pensei perdoar a vida pelo o que me aconteceu quando tinha oito anos. 

 

Grata. Muito grata. 

'NÃO TEMOS OBRIGAÇÃO'

Uma das decisões desta vida foi deixar de pintar o cabelo, diminuir os produtos tóxicos utilizados lá em casa (champô, desodorizantes, cremes, tinta, make up) e escolher os melhores amigos do ambiente. Como já vos tinha contado o meu condicionador é vinagre de cidra, ontem tive mais uma prova que o meu cabelo está saudável. Fui à cabeleireira cortar as pontas e ouvi rasgados elogios ao meu cabelo. “Está tão forte!”. Nunca mais tive irritação, nem oleosidade, nada. Não estou a utilizar produtos prejudiciais ao ambiente. Eu e o ambiente somos cada vez mais amigos. A amizade tem a força de retribuir sem a obrigação de nada.

 

Hoje fizemos uma recolha de vários bens para algumas vitimas dos incêndios de Oliveira do Hospital. Dei várias toalhas, roupa de cama, sapatos de criança e outros artigos. Se todos dermos um bocadinho estamos a contribuir para a felicidade de alguém. Alguém sem nada. Cada pedaço fará diferença na sua vida.

 

No outro dia, quando saía da escola, o rádio encontrou uma música clássica maravilhosa. Eu nunca oiço música clássica, mas depois do livro do James Rhodes é inevitável não estar atenta. Imaginem o cenário: chuva, lua, algumas estrelas, ruas vazias e música clássica. Foi uma cena perfeita onde tive a sorte de assistir na primeira fila. Quando fui levar os miúdos ao carro esta manhã mostrei-lhes o céu cor de rosa. Parei uns segundos para contemplar a natureza. Mostrei-lhes o gato que estava em cima do telhado a dar os bons dias com o miado. Precisamos de incutir o respeito pelo melhor desta vida. Pela vida. Alguém tem de parar o ciclo vicioso. Temos muito mais do que imaginamos ter.

 

De que vale andar nesta vida sem contribuir para o bem na vida dos outros e no mundo? Sem o falso costume de acreditar que “não faço porque não sou obrigado”. E quando oiço que “ não temos obrigação” perante terceiros fico confusa e reflito sobre os valores de quem pensa assim.

 

Somos feitos de ações, pensamentos e sonhos. É isso que nos distingue.

GRATIDÃO

 

 

Depois de um dia em que te impedem mais um bocadinho de seres tu, tirar um peso das costas ao chegar a casa faz todo o sentido. Aqui tudo faz sentido. Os meus e os seus abraços, o peso que não existe mesmo quando pesa e ainda tenho a sorte de receber palavras. Como eu amo palavras torneadas de carinho e verdade. Quem nos escuta é melhor do que quem nos ouve. Obrigada por me darem mais motivos para sentir a alma leve. 

 

Não existem vilões. Eu continuo a acreditar. Grata.

O BALANÇO NECESSÁRIO ANTES DE TERMINAR 2017

 

 

Este ano foi um ano absoluto de aprendizagem.A palavra escolhida para conduzir este ano foi "poupança", foi exatamente nisso que eu foquei. Escolher uma palavra resulta. É como definir um grande objetivo para 12 meses. Um trabalho diário. E que tal começar a pensar na palavra do próximo ano? Começar a fazer um balanço do que ainda podemos fazer nos meses que faltam para terminar 2017? Comecei o ano de uma forma e vou terminar de outra totalmente diferente. 

 

Venho partilhar algumas coisas que aprendi este ano. 

 

- Resolver problemas nas finanças

Felizmente ficou tudo resolvido depois de vários conselhos. Consegui enfrentar situações que no passado me fariam fugir a sete pés. Escrevi sobre isso AQUI.

 

- Os grandes projetos começam com pequenos passos

Sempre fui muito acelerada. Quero tudo para ontem, mas preciso de entender que aos poucos alcanço os meus propósitos. Nem sempre a rapidez é amiga. Tudo tem o seu tempo. Regressei aos estudos e sinto-me realizada. 

 

- A sorte mudou quando mudei a minha postura em relação à sorte

Esta é difícil de explicar, mas acreditem que a energia está associada a tudo. Não são balelas, eu vi a minha vida mudar depois de mudar a minha postura e as minhas palavras. Experimenta não te queixares durante um longo período e agradecer por tudo o que te corre bem. 

 

- Parar, respirar fundo

Gosto de estar sempre ocupada com mil projetos. No entanto, este ano decidi abrir espaço na minha vida para não fazer absolutamente nada em alguns momentos da minha vida. Sem stress, sem arrumações, sem pressão. 

 

- É possível poupar 

Ao longo do ano este ponto foi uma constante mudança. Só depois do primeiro semestre é que começou realmente a acontecer e a surtir efeito no meu dia a dia. Abri uma conta poupança Aforro e tenho as finanças praticamente controladas. Reclamava muito da falta de dinheiro mas não fazia grande coisa para mudar. Fiz e resultou.

 

- Minimalismo não é ter poucas coisas

É um estilo intenso de vida. É mudar a cabeça e a forma como lidamos com o mundo. É transformar a importância dos detalhes na nossa vida e trazer o melhor para perto de nós. 

 

- Admitir os erros e seguir em frente

O ano passado criei uma empresa de eventos mas percebi que não era bem aquilo que queria fazer e decidi encerrar. Outro projeto está na gaveta mas ainda não é o momento certo. Admiti a minha falta de conhecimentos para construir uma empresa do género e decidi colocar um ponto final. Insistir no erro seria um duplo erro. Nem sempre a desistência é uma falha. 

 

- Como cortar com alguém no emprego

O texto fala por si, podem ler AQUI.

 

- Só tenho três certezas absolutas nesta vida

O amor pelos meus filhos e marido, o amor pelos meus irmãos e o meu amor pelos livros. O resto pode mudar a qualquer momento. 

 

- Sair da zona de conforto é maravilhoso

Ui, eu adoro rotinas e não era menina para grandes desafios. Este ano mudei ligeiramente isso e estou mega contente por ter tido experiências que só foram possíveis com esta aprendizagem.

 

- Não preciso de ser infeliz num emprego que não me realiza

Escrevi sobre isso também, podem ler AQUI.

 

- Viajar é possível

Passei a vida enganada. Se calhar enganaram-me. Pensava que viajar seria algo incansável e limitado a pessoas com uma conta bancária recheada. Não é. É possível. E não paguei a viagem aos bocadinhos. Apesar de algumas agências aceitarem essa modalidade. Viajar é maravilhoso, alarga os horizontes. Nem o medo de falar pouco a língua nativa do país estrangeiro é um impedimento. Tudo se resolve.  

 

- Eliminar as amizades tóxicas permitiu-me evoluir

Esta foi a maior aprendizagem. Tudo o que aprendi durante o ano deve-se a este pequeno grande passo. Passei por momentos complicados. Nem sempre é fácil admitir que aquela amizade tão boa, tão antiga, tão verdadeira não é nada disso. Agora pergunto-me porque não o fiz mais cedo. Tantos sinais à minha frente. Eliminei todas as amizades tóxicas. Nem uma para conta a história. 

 

 

E vocês? Muitas aprendizagens este ano? Contem-me, gosto de saber como correram os vossos dias, se notaram alterações ao longo destes meses. Temos algum ponto em comum nas aprendizagens deste ano?

 

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SEM DOBRAR O JOELHO

 

Vou poder respirar um bocadinho de alivio esta semana. Acalmar o coração, sem stress. Foram dias complicados até ter quase tudo resolvido. Obrigada, vocês foram impecáveis! Falta tão pouco para colocar um fim nesta situação. Antes de começar um dos meus meses preferidos, Setembro. É bom limpar e encerrar assuntos antes de começar uma nova etapa. 

 

Esta semana irá exigir de mim a outros níveis. No entanto, estou pronta para todos os desafios que a vida tem para mim. Vá, tudo o que está a acontecer é exactamente aquilo que tem de acontecer para entenderes melhor quem és. Auto-conhecimento. Afinal o que é fácil apenas cria meninas mimadas e caprichosas. Eu aturei algumas durante tempo em demasia. Não aturo mais, nem ando mais atrás. Cansa, sabem? Um dia todos param de correr e de esperar. 

 

Não preciso de concordar com toda a gente. Muito menos dobrar o joelho. Na internet não há rainhas com dragões. Foca no que é teu, no que tu fazes. No caminho que fizeste. E se tiveres de fazer um "delete" ou dar um "unfollow", força. Muito ruído provoca dúvidas, problemas de identidade. Os rebanhos são sempre um problema, provocam movimentos mecanizados. Acabam com a expansão de pensamento e surge como uma barreira de criatividade. 

 

Portanto, uma semana de muito calor e de euforia. Começou muito bem, no ponto alto. Continuo a ser a menina que enfrenta e não se esconde na casa de banho. A vida não fez de mim uma menina mimada e caprichosa. Apenas rija. Daí vem a minha frieza na resolução dos problemas. E desculpem, nos tempos que correm, preciso de salientar isto como uma qualidade. Todos temos uma voz, mesmo a miúda no canto do escritório calada e presa aos seus pensamentos. Ela escuta e vê. Abana a cabeça. E chega a muitas conclusões. Não a subestimem. 

 

Terça, estou a esfregar as mãos. Who is next? Love with love. 

PARAR COM AS DÚVIDAS

 

Grata pelas leituras que me emocionam e inspiram a continuar. Em altura de dúvidas acabo por tranquilizar e ficar confiante no meu caminho. Obrigada António do Ó pela partilha  e à Just_Smile pela referência no seu post sobre minimalismo. Acabei por receber novas visitas e comentários.

 

Isto de mudar de estilo de vida tem muito que se diga. É uma transformação enriquecedora que me traz espaço e abertura para superar vários obstáculos. O objectivo continua a ser a partilha, a transformação, apurar a organização e construir um futuro mais estável. O conhecimento será sempre o meu grande companheiro nesta viagem. Sigo com mais certezas.