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contactoclaudiaoliveira@gmail.com

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AMIZADES PARA A VIDA E ALGUMAS QUE FICAM PELO CAMINHO

 

Antes de ir de férias tenho umas coisas para deitar cá para fora. Vamos a isto? Respirar fundo. Deixem-me só ligar a música. Ok.

 

Sobre isto das amizades e relações. Separo a minha vida entre antes e depois de ser mãe. Verdade. Mudei imenso com a maternidade. O foco, os objectivos, a maturidade e a paciência. O que parecia mega importante antes acabou por perder força depois do nascimento do primeiro filho. E as conversas dos outros deixaram de ser tão entusiasmantes. Mas claro, uma pessoa não pode deixar de socializar por causa disso. O mundo está cheio de diferenças e precisamos de respeitar.

 

Quanto aos amigos de longa data. Ui. As coisas não foram muito fáceis. Enquanto que alguns se afastavam, outros permaneciam perto. E gerir as emoções não é fácil. Metam em casa uma mãe cansada, irritada por falta de descanso, todos os dias com um bebé sem ver amigos. Nessa altura queremos falar de fraldas, vacinas e chuchas com alguém. E claro, nem toda a gente quer levar com isso. Mas enquanto alguns se afastavam eu comecei a ver grandes diferenças no meu grupo de amigos. Um grupo enorme para sair à noite transformou-se em meia dúzia de gatos pingados a jantar lá em casa num tom mais baixo para não acordar a criança. A gota de água foi quando a melhor amiga deixou de aparecer após o primeiro/segundo mês de ter sido mãe. Mas vá, uma pessoa relativiza, tem uma conversa quando volta à rotina habitual e tudo parece ser como antes. 

 

Mas não é. Claro que não é. O tempo não é igual e há uma diferença enorme na compatibilidade de preferências. Mas quando gostamos fazemos um esforço. Dedicamos tempo. Eu amamentei até o meu filho ter um ano. Portanto tinha de tirar leite frequentemente. Mas cheguei a ir a uma festa só para estar com aquela amiga. Cansada, a segurar as pálpebras enquanto fingia que não estava só a pensar no meu filho em casa. Com o tempo deixamos de nos ver e somos substituídas por outras amigas. Ok, uma pessoa aguenta. É só uma fase. Tenta entender o que se está a passar mas nunca há uma explicação.Nem tem de haver. As pessoas mudam e os caminhos deixam de se cruzar. 

 

Também fiz novas amizades. Mães, sobretudo mães com quem podia conversar sobre a minha nova fase. Foi bom, aprendi muito e tive direito a novas experiências. Ganhei uma nova amizade muito especial com quem criei uma ligação igualmente especial. Nessa altura era muito tolerante, estava a aprender a lidar com tudo. E olhem que não é pouca coisa. Uma mãe é obrigada a nascer no mesmo momento que nasce o seu filho. Sem dramas, vá. Mas a tolerância desvaneceu-se. Calada reparava nas "amigas e amigos" que deixaram de aparecer. Calada reparava na ausência de mensagens e convites. Pensei, deve ser normal. E era, estava a acontecer com a tal nova amiga. Então, acabámos por nos ajudar uma à outra. Mas foi sol de pouca dura, os problemas dela sempre estavam em primeiro e eu passava a vida a tentar segurar com as duas mãos a sua autoestima, a minha e duas crianças para cuidar. Um dia falo sobre a minha fase "ajudar os outros e esquecer de mim". 

 

O meu  pilar durante os altos e baixos foi o meu companheiro. E nisso sou uma sortuda. Acho que é importante ter um porto seguro em quem podemos confiar. Não fosse a confiança tão importante na vida de alguém que precisa de equilíbrio.

 

Depois surgiu a segunda gravidez. Vá, vamos dar novas oportunidade às pessoas. E claro, quem tinha desapontado voltou a desapontar. Em dose dupla ninguém quer tolerar. E se a minha tolerância era pouca, acabou por desaparecer. Bolas, eu vivo tão perto e bastava só tocar à campainha para dizerem "olá". Mais conversas, mais tentativas. Não dá. Aprendi que "não vai ficar pior" quando tomamos uma decisão. E fui obrigada a parar para não me continuar a magoar. Obviamente que estou a falar por alto sobre todo o assunto, ficaria aqui uma vida se vos fosse contar detalhes. 

 

Quando nos sentimos magoados ou frequentemente mal por causa de alguma amizade podem ser amizades tóxicas. E a libertação depois do fim é só o sentimento mais leve que podemos experimentar. Nem todas as amizades precisam de ser mantidas até ao fim da vida simplesmente porque "já nos conhecemos há tantos anos".

 

Foi importante repensar as minhas amizades. Mas foi difícil não construir um muro depois das desilusões. Então, fiz uma porta para entrar e sair. Dou sempre o beneficio da dúvida em relação às pessoas que surgem na minha vida. Eu sou pessoas para falar, confiar e estar. Mas facilmente corto pela raiz. Não aguento energias negativas. Nem preciso. Limpeza mental cria espaço. E não há nada mais importante para mim do que paz espiritual. 

 

Continuo a criar momentos com os meus amigos. Em casa com jantares. Beber uma bebida fresca durante o fim de semana para meter a conversa em dia. Cinema esporadicamente. Visitas. Mensagens e conversas de chat frequentes. Momentos importantes e festivos. E adoro cada momento. Deixo as conversas sobre fraldas para as mães existentes no escritório. 

 

Eu adoro conversar sobre tudo um pouco. Tenho os meus assuntos preferidos da vida, e não se limitam de todo à maternidade. Nunca se limitaram. Adoro pessoas e a  diversidade do mundo. Estou muito grata com o caminho traçado, com quem está à minha volta e estabeleço uma relação. E muito orgulhosa por ter ultrapassado os tempos de chuva sem guardar rancor.

 

Bem, vou terminar, acho que já divaguei imenso e não fui muito conclusiva. Bom fim de semana para todos. 

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