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contactoclaudiaoliveira@gmail.com

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A ESCOLA NÃO É UMA VILÃ

 

  A literatura mudou muito a minha postura, forma de comunicar e conhecimento. Noto sobretudo na escola, durante as aulas. Por exemplo, estivemos a falar sobre a Segunda Guerra Mundial. Um assunto que me interessa e emociona. A professora passou um pequeno vídeo sobre o tema na sala de aula. Acabamos a debater o assunto e levantar questões. Senti-me perfeitamente confortável para dar a minha opinião, sugerir livros e ainda transmitir alguns factos que a maioria desconhecia.

 

  Sempre tive dificuldades em falar em voz alta perante uma plateia, por detrás da câmara sinto-me como peixe em água. Quando apresento os trabalhos para a turma ainda sinto alguma dificuldade em não ficar com o rosto corado. Nas apresentações, quando preciso de falar sobre o meu percurso escolar e pessoal, não sinto o mesmo. Falo com todos os meus colegas e professores, noto que tenho imensa facilidade em fazer novas amizades ao contrário dos anos anteriores. Nos eventos ligados à literatura/editoras também sinto algum à vontade. Mas ainda preciso de melhorar. Sempre fui tímida e coro com imensa facilidade. Não dá jeito em algumas situações particulares. Para além disso fico mais nervosa sempre que acontece.

 

  A literatura ajudou-me imenso a combater esta timidez. Deu-me confiança suficiente para dar a minha opinião em determinados assuntos. Abriu portas a nível da comunicação e acrescentou informação. As experiências e informações em determinados romances ou livros de não-fição complementam as noticias ou qualquer facto da História Mundial conhecido na sala de aula.

 

  Fiquei surpreendida com o desconhecimento geral em relação a Anne Frank ou Primo Levi. No entanto, reflito e concluo que é perfeitamente normal porque eu vivo no mundo dos livros, respiro literatura desde muito cedo. Mas a realidade portuguesa não é esta, não somos um país de leitores.

  

  No entanto, não sinto que esteja a um nível paralelo à quantidade de livros lidos e tenho um enorme trabalho pela frente a nível léxico. Estudar ajuda-me a estabelecer contato com pessoas mais experientes que definitivamente têm muito para me ensinar. Por isso adoro ir à escola e dedicar o meu tempo ao estudo.

 

Tem sido um ano de aprendizagem e evolução. A literatura continua a ser a maior responsável.

 

CALMA EM TEMPOS MODERNOS

 

 

Agenda na tua agenda um dia para ficar longe de todas as tuas tarefas

  É permitido procrastinar um dia por semana. Ficas muito mais produtiva nos dias seguintes depois de descansar. Mesmo que tenhas imensas tarefas pendentes. Para resolver muitos assuntos, mete em ordem a mente.

  Costumo tirar a quarta ou a quinta só para mim e para fazer nada de nada. O mundo avança, fico simplesmente a olhar o teto, escuto música ou durmo uma sesta.

 

Cria uma playlist zen

   A música pode ser uma terapia. Cansados das vozes energéticas da rádio procura música mais leves para manter o silêncio no meio do ruído. Eu tenho as minhas músicas preferidas para quando preciso relaxar a mente e gosto de atualizar esporadicamente com músicas novas.

 

Velas cheirosas

  Nada melhor do que chegar a casa e ter uma casa limpa e cheirosa. Sobretudo para quem tem o olfato apurado e fica satisfeito com um belo perfume. Eu adoro abrir a porta de casa depois de um dia stressante e sentir um bom aroma no ar. Abraçar os meus filhos e sentir o seu cheiro de bebé também me relaxa muito.

 

Manter o telemóvel longe do quarto

 Chega a hora de dormir, agarramos no telemóvel e passamos algum tempo antes de adormecer nas redes sociais. De vez em quando é bom trocar as voltas à mente e trocar o telemóvel por um livro ou pelo caderno da gratidão. A mente agradece um bom descanso.

 

5 minutos de meditação ou simplesmente para respirar fundo

  Quantas vezes damos cinco minutos para desacelerar o passo e respirar fundo? Este pequeno gesto é gratificante para a alma e mente. Baixar os ombros por instante e encher os pulmões de ar pode mudar um dia inteiro de stress.

 

Refeições focadas na comida

  Quantas vezes comemos com os olhos fixos numa televisão ou no telemóvel. Comer é um ato privilegiado que merece mais atenção. Saborear a comida devagar com o foco total nos sabores retira uma parte do stress. Merecemos.

 

Manter o espaço de estudo limpo e organizado

  Para estudar precisamos de um espaço limpo e cuidado. O material de papelaria deve estar em condições e organizado. Eu gosto de ter uma planta perto de mim e não ter nada espalhado em cima da mesa para conseguir estudar concentrada. Com o telemóvel sem som de preferência.

 

Beber muita água

  Parece estranho, mas este gesto acorda o nosso corpo. Hidratar o corpo com pausas para beber um copo de água é o mesmo que demostrar que estamos atentos e tiramos algum tempo para nós. Bebo muita água todos os dias e mantenho um copo ou garrafa com água sempre em cima da mesa.

 

 

NÃO TENHO DE ENTENDER TUDO

 Foi uma semana mais calma. Começou vazia, aos poucos a vida ganhou forma. Ir ao curso ajudou-me muito. Ver e estar com pessoas com os mesmos objetivos torna os dias mais leves. Ver a preocupação dos professores, a interajuda dos meus colegas foi reconfortante. Estava atrasada em alguns trabalhos, mas consegui cumprir alguns prazos e concluir com sucesso alguns módulos. Um dia saí mais cedo da escola porque não estava a aguentar o cansaço e tinha imensas dores de cabeça. Deitei-me super cedo e acordei fresca no dia seguinte. Arrumei a casa, cozinhei, recebi amigos. Mesmo sem comer açúcar fui buscar dois bolos para os convidados. Chorei, aliviei a alma com desabafos. Coisas que me fazem alguma confusão, sobretudo a falta de empatia que vejo nos dias correntes em relação ao sofrimento dos outros. Pessoas que estiveram presente na minha vida durante vários anos a desprezar o meu sofrimento com música latina ou gargalhadas sem uma palavra de alento permite-me refletir. Não precisamos de manter a amizade, precisamos de manter o respeito. Eu não tenho pesadelos com isto, mas gosto de entender atos que não têm entendimento possível. Não tenho de entender tudo. Foi isso que aprendi esta semana. Não vou gastar energia a buscar respostas com supostas elações. Vou planear mais encontros com amigos, trabalhar mais, dedicar-me ao que mais gosto. Sábado acontece mais um encontro do clube literário em Lisboa. Também tenho o Magusto com amigos no final do dia. No Domingo tenho um almoço especial. E para tornar os das ainda melhores tenho o Saramago comigo, o rei do projeto Ler os Nossos. Está a ser uma leitura maravilhosa, como esperava. Os dias estão frios, mas arranjamos sempre forma de os aquecer um bocadinho.

 

PARA NOVEMBRO

 

 

Então, Novembro será um mês árduo. Muito trabalho pela frente a nível profissional e pessoal. Chegam ao fim alguns módulos do curso e preciso de entregar alguns trabalhos. Perdi alguns dias, atrasei-me, mas vou recuperar de certeza. Talvez um sábado a trabalhar na biblioteca seja suficiente. Os meus planos para Novembro são:

 

- Concretizar os primeiros módulos do curso de informática

- Realizar leituras para os projetos “n-estórias” e “ler os nossos”

- Poupar o máximo possível

- Concretizar o desafio 21 dias sem açúcar com sucesso

- Marcar um check up de saúde e dentista

- Fazer iogurtes em casa, bolo de banana e castanhas assadas

 

OUTUBRO | O MÊS MAIS DIFÍCIL

 

Tanto para dizer

 

Foi um mês intenso. A minha mãe disse que esta altura é muito complicada por ser o “cair da folha”. Presumo que nunca mais me vou esquecer porque faleceu recentemente uma pessoa muito querida, com quem vivi durante vários anos. Estava doente e não aguentou. Um adeus dói sempre. Para quem me segue há uns bons anos nos blogues deve lembrar-se do “pai do Zé”.

 

Nestes momentos vemos quem está do nosso lado e quem pretende ficar de fora. Não me vou esquecer dos abraços nem de quem nos deu consolo num dos piores dias da nossa vida. Nem das mensagens apesar do silêncio nos restantes dias. Estou muito grata.

 

A nível profissional recebi uma mega proposta com vários benefícios para o caminho que pretendo seguir. Estou confiante e muito entusiasmada. Ainda estou a tratar de tudo mas quero dedicar-me muito e acredito que seja possível tirar partido no futuro. Recebi a proposta no dia em que recebi a noticia mais triste deste ano. Foi complicado gerir e equilibrar as emoções, mas consegui. Psicologicamente estou esgotada.

 

Fiz o desafio Outubro Ousado mas não correu com nenhuma ousadia. Ajudou-me bastante na questão da diversidade e na utilização de peças paradas. Também fiz o desafio Zero Fora de Casa e correu lindamente, consegui juntar o dinheiro que queria e acabar com mais uma dívida. O desafio 7 Receitas Veganas não correu bem, acabei por cozinhar e não partilhei as fotos. Muitos legumes, quinoa, saladas, feijão e arroz.

 

O curso está a caminhar com passos curtos. Em novembro vou precisar de trabalhar bastante porque tenho vários trabalhos para entregar. Tive de faltar durante alguns dias e ficou alguns trabalhos em atraso assim como exercícios. Estou sem acesso à internet durante o horário laboral (sem email ou acesso à conta bancária) ao contrário de todos os meus colegas. Mais uma situação para me incomodar com o qual vou aprender a conviver.

 

A nível de poupanças correu lindamente. Como informei acima consegui terminar mais uma dívida. Estou à espera de receber o reembolso do seguro de saúde para colocar tudo na conta poupança. Não fiz gastos desnecessários. ´

 

Estive em Vilamoura. Fui à praia com minha família. Tinha saudades do Algarve, daquele mar e dos lugares bonitos. Estava muito sossegado. Conheci bons restaurantes este mês também.  Li menos este mês, mas fiz leituras incríveis. Vi pouca televisão, segui apenas a série This is Us e fui ao cinema ver A Coisa.

 

Vou terminar o mês com o coração pequenino. Com esperança de trabalhar muito no próximo mês e concretizar os meus planos. Foi o mês com mais obstáculos e mais surpreendente.

21 DIAS SEM AÇÚCAR

21 DIAS.jpg

 


Vamos começar no dia 1 de Novembro o desafio 21 dias sem açúcar. Um detox antes das grandes festas do final do ano. Quem está connosco? Já somos um grupo jeitoso e temos um chat para trocarmos receitas, dicas e sintomas. Estava mesmo a precisar deste desafio. Ando a abusar dos doces há demasiado tempo.

Algumas dúvidas não deixem de perguntar. Bom desafio para todos.

 

Não podemos comer:

- produtos processados (cereais, papas, iogurtes, bolos, nutella, doces variados)

- chocolates (só o chocolate negro)

 

 

Dicas

- imprime um calendário e faz uma cruz sempre que passares um dia sem açúcar. Mantem o calendário por perto

- regista os sintomas (vais verificar que a vontade de comer doces desaparece conforme avança o desafio)

- pesa-te antes do desafio para veres a diferença no final

- prepara ementas substitutas às refeições que costumas fazer. Por exemplo: costumas comer cereais ao pequeno-almoço, elaboro várias opções e se for mais prático regista tudo num caderno

- faz alguns produtos em casa (iogurtes, panquecas, bolos…)

- mantém o foco. Assume que este desafio só traz benefícios

PERDOEI A VIDA

 

Vai ser um bocadinho estranho partilhar isto. Não vos posso contar a história toda, mas vai ser suficiente para transmitir aquilo que pretendo. Acredito que existem peças fundamentais para o crescimento pessoal. Cada um com as suas. 

 

O meu pai morreu quando eu tinha oito anos. Isso afectou totalmente a minha infância e o meu crescimento emocional. Na altura, os meus irmãos tinham seis anos e seis meses. A minha mãe ficou sozinha com três crianças e as coisas não foram fáceis. Quando digo que afectou o meu crescimento emocional quero dizer que tudo o que eu fiz depois dessa data foi marcado por esse acontecimento. Eu vivia com a sensação de perda todos os dias. Um vazio gigante, uma aura de solidão imensa e uma estranha forma de me relacionar com todos.

 

Adiante, era uma miúda feliz com um peso no coração. Entendem? Sempre que algo de negativo acontecia na minha vida eu ligava ao facto do meu pai ter morrido. Tudo era culpa da morte dele de forma prematura. Imaginem, um rompimento de namoro na adolescência era um buraco negro para mim. Eu não sofria por causa do fim do namoro, eu ia buscar o dia da morte dele para sofrer o fim do namoro. Confuso, não é? Acabei por desenvolver um medo desenfreado por perder as pessoas. Isso dava cabo da minha segurança. E eu precisava muito de segurança. Ainda hoje busco segurança em todos os meus passos. Mas já estou a entrar por caminhos estreitos. Vamos ao que eu quero dizer. 

 

Ao longo de muitos anos sofri horrores com a ausência do meu pai. Repetia lembranças vezes sem conta até cansar. Sempre os mesmos episódios. Tenho memorizados oito episódios com ele. Oito. O peso desapareceu há cerca de sete anos. Nessa altura deixei aos poucos de repetir as lembranças com medo de me esquecer do seu rosto. Deixei de escrever sobre ele exaustivamente. Deixei de chorar ao som de uma música ou duas que associo sempre a nós. E fiquei leve. A dor passou a saudade bonita. Sem peso. Há um grande motivo para esta mudança, daria outro texto. 

 

Ao longo destes anos nunca quis saber quando é que ele tinha falecido nem a data do seu aniversário. Para não ter mais datas tristes para além do dia do pai. Sendo que o dia do pai agora é o dia do super pai desta casa. Se calhar a minha mãe já me tinha dito mas eu nunca memorizei. Defesas. Não sei. 

 

Hoje comentei com o meu melhor amigo que não sabia essas duas datas e tinha muita vontade de saber. Aliás tenho vontade de saber mais sobre ele. Estávamos a falar da série This is Us e calhou em conversa. Ele disse-me para perguntar à minha tia, irmã dele. Por concidência ou não a minha prima veio falar comigo no chat. Raramente falamos. E assim que a ajudei no que precisava perguntei as datas. Foi muito importante para mim este passo. Ter datas. Ter coragem de perguntar. Não é propriamente as datas, é a minha atitude. E ainda fiz várias perguntas sobre ele. 

 

Parece que finalmente tirei os lençóis dos fantasmas. Nunca pensei conseguir falar no meu pai com alguém da minha família. Nunca pensei que a saudade durasse uma vida. Nunca pensei pedir uma foto dele comigo ao colo. Não tenho uma única foto dele. Nunca pensei perdoar a vida pelo o que me aconteceu quando tinha oito anos. 

 

Grata. Muito grata.